Quinta do Vale Meão Tinto 2013 Douro
Em 1877
D. Antónia Adelaide Ferreira, já proprietária do maior património agrícola do
Douro, comprou em hasta pública 300 hectares de terra virgem à câmara de VN de
Foz Côa. O seu sonho era de construir a partir do nada uma exploração modelo,
concretizando nela toda a vasta experiência acumulada ao longo da sua vida de
empresária duriense.
Este projecto ambicioso foi totalmente levado a cabo entre 1887 e 1895. Foi a
última e mais significativa realização daquela Senhora, que no entanto pouco
dela gozou, pois morreu em 1896.
Desde então a quinta manteve-se sempre na posse dos seus descendentes. A partir
dos anos 70 o seu trineto Francisco Javier de Olazabal assumiu a sua gestão e
iniciou um longo processo de aquisição de partes indivisas dos seus familiares
e comproprietários, e em 1994 tornou-se juntamente com seus filhos, único
proprietário da Quinta. Até então as uvas da Quinta eram vendidas á empresa AA
Ferreira S. A., fundada pelos descendentes de D. Antónia, e estavam na base de
alguns dos seus melhores vinhos. Essa ligação continuou até 1998, ano em que
Francisco Javier de Olazabal decidiu renunciar ao cargo de presidente de A. A.,
Ferreira S.A. para se dedicar juntamente com seu filho enólogo Francisco de
Olazabal y Nicolau de Almeida, à produção, envelhecimento e comercialização dos
vinhos da quinta, através da criação da sociedade F. Olazabal & Filhos,
Lda.
A partir
dos anos 80, foi levada a cabo uma reconversão importante da vinha, em parte
resultante da expropriação dos terrenos submersos pela barragem da Valeira. As
novas vinhas foram plantadas em talhões com castas separadas tendo-se
privilegiado a Touriga Nacional, casta até então quase abandonada no Douro,
pela sua pequena produtividade e dificuldade de cultivo, mas que se veio a
revelar como particularmente bem adaptada às características edafo-climáticas
do Douro Superior, contribuindo grandemente para a qualidade e originalidade
dos vinhos da Quinta. Dado que os terrenos da Quinta apresentam características
geológicas diferenciadas – xisto, granito e aluvião – procurou-se tirar
partido dessa diversidade por forma a garantir a sua complexidade.
Relatório
da Vindima:
Após a
vindima, o Outono trouxe tempo chuvoso, o que permitiu atingir o final do ano
com cerca de 50% da média anual de precipitação (200 dos 400mm médios),
compensando assim a falta de chuva que caracterizou o resto de 2012. O início
de 2013 revelou-se seco e frio, com esta situação a prolongar-se até meados de
Março. Assim, tivemos um abrolhamento cerca de 15 dias mais tarde do que o
normal. A chuva voltou em Março, em tal quantidade que houve, no início da
Primavera, uma cheia no Douro. Os meses de Abril, Maio e Junho foram anormalmente
frescos e com precipitação relativamente frequente, o que possibilitou um
desenvolvimento perfeito do coberto vegetal e uma produção superior
a 2012. Entramos no Verão sem qualquer tipo de stress hídrico e com temperaturas
mais baixas que o normal para a época. No início de Julho, houve uma onda de
calor violenta de cerca de 10 dias que, contudo, não causou prejuízos dado o
equilíbrio vegetativo e hídrico alcançado. O resto do mês de Julho voltou a ser
mais fresco do que o habitual, tendo Agosto trazido consigo temperaturas
típicas da época estival. Esta situação possibilitou uma evolução da maturação
muito equilibrada e o atraso que se verificou no período do abrolhamento
continuou nos estádios fenológicos subsequentes, protelando inclusivamente
a data de vindima.
Castas:
60%
Touriga Nacional, 30% Touriga Franca, 5% Tinta Barroca e 5% Tinta Roriz.
Vinificação:
Após
esmagamento as uvas passam por um choque térmico seguido de pisa apé durante
quatro horas em lagares de granito. O mosto é transferido para cubas de
vinificação de pequena capacidade com controlo de temperatura. As castas são
vinificadas separadamente. Estágio em barricas (80% novas e 20% de segundo ano)
de 225 litros, de carvalho francês.
Notas de
Prova:
Muito concentrado na cor.
Nariz de grande profundidade, complexo, com muitas nuances aromáticas, sem que
nenhum aroma se sobreponha a outro. Na prova é vibrante, num conjunto de grande
elegância, excelente integração da madeira, surpreende pela grande variedade de
sabores, com um final de boca muito longo.